Domingo, 5 de abril de 2020.

HISTÓRIA DE UMA ÉPOCA É A PREVENÇÃO DE UM ERRO MAIOR (1964 / 2020). COINCIDÊNCIAS E SIMILIARIDADES VII

 

A década de 1960 foi caracterizada pelo desencadeamento de profundas tensões sociais. O mundo subdesenvolvido toma consciência que o processo científico e cultural, as possibilidades de desenvolvimento constituem fatores próprios da humanidade e não privilégios das nações desenvolvidas.

O Brasil fervilhava em reclamações sociais e da grande crise financeiro vivida na década. O Brasil era um país sem indústria e com uma agricultura essencialmente familiar, uma população imensamente analfabeta e com pouquíssimos serviços. Dependíamos de tudo do capital estrangeiro e em época de guerra fria, qualquer manifestação nacionalista era vista como apoio ao comunismo. Até hoje parte da população confunde ou desconhece o comunismo.

O Presidente da época, período anterior a 31 de março de 1964, era João Goulart, que havia assumido após séria crise institucional com a renúncia de Jânio Quadros, da qual era vice, e defendia calorosamente os princípios nacionalistas e uma ampla reforma para tirar o Brasil do atraso político-administrativo. João Goulart confiava exageradamente nas Forças Armadas.

Em janeiro de 1964 João Goulart defende a liberdade do Brasil perante os interesses das grandes nações, em particular dos Estados Unidos, defendeu a liberdade de Cuba em optar pelo socialismo e foi contra a violenta ocupação americana no Panamá.

O alto índice inflacionário, chegando a quase 100% ao mês, o arrocho salarial imposto a todas as categorias públicas e privadas, inclusive os militares e a crescente insatisfação da classe média em sua maioria cristã católica, que via o governo brasileiro como um vilão comunista, fez crescer uma ferrenha oposição política liderada pelos governadores dos estados da Guanabara, Carlos Lacerda, e do estado de Minas Gerais, Magalhães Pinto. Desenha-se o golpe, inicialmente político (civil) e depois golpe militar, que mergulhou o país em uma ditadura militar, um período de trevas.

A sobrevivência política de João Goulart, da classe política e do estado Democrático de Direito, dependia de medidas urgentes a serem adotadas e não o enfrentamento mediante a força militar que João Goulart tanto confiava. E assim, no dia 13 de março de 1964, no famoso discurso da Central do Brasil, João Goulart lança um pacote de medidas, na verdade uma proposta de reforma constitucional, chamado de Reformas de Base, com a finalidade de tirar o Brasil do atraso político, econômico e administrativo.

Resumo das Reformas de Base:
1-Reforma Agrária.
2-Reforma bancária (preservar o Banco do Brasil como bem público).
3-Reforma tributária (punição rigorosa aos sonegadores fiscais, estimular o investimento privado, taxar o lucro dos mais ricos e quem ganha mais paga mais).
4-Reforma administrativa (estabelecer sistema de mérito e criação de oportunidades iguais para todos).
5-Reforma empresarial (modificação na estrutura das empresas no sentido de atribuir ao trabalhador, responsabilidades e direitos paritários aos dos sócios e acionistas impedindo que a mais-valia seja absorvida na remuneração do capital; revisão na estrutura das empresas publicas tornando-as mais modernas).
6- Reforma política (adoção do voto ao analfabeto e do Praça, soldados e cabos, ilegibilidade aos alistáveis, eliminação das limitações decorrentes da Lei de Segurança Nacional, dando liberdade de organização para qualquer partido, inclusive o Comunista).
7-Reforma de Governo:
7.1-Financeira (contenção da inflação, auxílio aos estados para corrigir os déficits, estabelecer programas de desenvolvimentos, melhorar o aparelho de arrecadação, controle de crédito concedido pelo Banco do Brasil ao setor privado, afim de concentrar mais recursos no desenvolvimento econômico e bem-estar social, negociar moratória).
7.2-Comercial (monopólio do câmbio, monopólio do café, regulamentação das remessas financeiras para o exterior).
7.3-Cultural (erradicação do analfabetismo, reforma universitária com a participação efetiva dos estudantes na administração das universidades, modernização da cultura especialmente no campo das ciências e tecnologia, expansão da rede de ensino público e a criação dos centros de cultura popular).
7.4-Abastecimento: (combater a sonegação e otimizar o CADE, planejamento do abastecimento interno, estruturar as exportações).
7.5- Brasília (consolidar a nova capital).
7.6-Política externa (preservação de política independente e sem opção ideológica, coexistência pacífica com todos os países, inclusive os socialistas, participação efetiva na ONU, autodeterminação, solidariedade e apoio aos povos que lutam contra a dominação colonial).

O Presidente João Goulart não resistiu. O apoio dos governadores Leonel Brizola do Rio Grande do Sul e de Miguel Arraes de Pernambuco foram insuficientes para conter a insurgência dos militares, que abocanharam o poder e devoraram um por um dos civis que tramaram o golpe contra a democracia. O estado brasileiro mergulhou no obscurantismo do medo, do ódio e da violência.

E certo dia, o senador Tancredo Neves, vendo a traição de civis e o fechamento do Congresso Nacional, não se conteve e assim gritou: “Canalhas, canalhas, mil vezes canalhas…”

Ulisses Guimarães, anos depois, ao ler a Constituição Brasileira em 1988, afirmou que aquele que trair a Constituição Brasileira e a hegemonia dos poderes é um traidor da Pátria.

Em tempos de neofascismo tudo parece possível, os vestais da moralidade, os traidores do povo brasileiro sorriem e se banqueteiam no adorno periférico do poder, satisfazem-se com a bajulação e assim nada lhes sobrará, restará apenas o esgoto da história que sempre receberá o canalha e ao agressor do estado Democrático de Direito, o traidor da Pátria, e a eles nada mais lhe restara, apenas ratos e baratas.

HAMILTON RAPOSO DE MIRANDA FILHO

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HISTÓRIAS DE SÃO LUÍS CARNAVAL DE SÃO LUÍS A BANDALHEIRA E O DESFILE DA TURMA DO QUINTO DE 1983.

  1. Alguns comportamentos marcam uma época, contam uma história ou simplesmente caem no esquecimento. As brincadeiras de carnaval em sua maioria seguem este curso. Blocos, tribos, corsos ou marcaram uma época ou caíram no esquecimento. Vira-Latas, Apaches, Vigaristas ou os tradicionais corsos, pouca gente se lembra, caíram no esquecimento!
    O carnaval apesar de ter sua origem no período medieval, o comportamento de brincar e de se sujar durante as festas permanece até hoje em algumas cidades.
    Pois bem, no início da década de 1970 aqui em São Luís, não se sabe quem foi o inventor da “brincadeira”, lembro-me de Álvaro Cláudio Moraes, pai do Padre Heitor, organizando um mela-mela, confeccionando com canos de PVC, cabos de vassouras e bucha de couro, bombas de sucção d’agua. São Luís substituía o inocente confete e serpentina pela maisena e jatos de água. Os carros alegóricos que faziam o comportado e tradicional corso, foram substituídos por caminhões cheios de túneis com água, canos de PVC e Maisena.
    Não havia batucada, samba, orquestra, nada que identificasse aquilo como carnaval. Travava-se nas estreitas ruas da cidade uma verdadeira batalha de água e maisena. O centro ficava marcado de Maisena.
    A festa, ou melhor, o mela-mela, parecia que não tinha fim.
    A resistência dos blocos tradicionais, tribos, casinha da roça, dos blocos de sujo e das escolas de samba ganharam um importante aliado quando a Flor do Samba resolveu modificar o carnaval com dois populares sambas: “Ô raio o sol / Suspende a lua / Olha o palhaço no meio da rua….” e o “ Haja Deus / Quanta beleza / A Flor do Samba vem mostrar…”
    Cansados de tantas confusões por causa do mela-mela e empolgados com o “Haja Deus / Quanta beleza…” a turma da Praça da Alegria formada por Álvaro Cláudio, Januário, Silvino, Zequinha, Guará, Carlinhos, Hamilena, Silvia, Silvinha, Portela, Zezé e muitos outros, resolveram criar a Bandalheira. Talvez tenha sido a primeira charanga de São Luís.
    A bandalheira saía da Praça da Alegria, em frente da casa dos meus pais, que funcionava como QG do bloco e descia a Rua do Passeio até a Praça da Saudade, retornando pela Rua do Norte. O detalhe ficava por conta do estado etílico dos participantes que dificilmente concluíam o percurso de volta.
    Animados pelo “Haja Deus / quanta beleza…” a classe média começa a participar nas atividades das escolas de samba e a disputa entre a Turma do Quinto, Flor do Samba e Favela do Samba ganham desnecessariamente com as torcidas organizadas, contornos passionais clubistas. Lilio Guega, Wellington, Bulcão, Godão, Piranha, Augusto Tampinha, Chico da Ladeira, Chico Coimbra, Reynaldo Faray, Giust, Leda Nascimento, Dominguinhos, Zeca Gordo, Zé Raimundo Rodrigues, Renato Dionísio, Euclides Moreira e muitos outros, colocam o carnaval de São Luís na passarela e o ponto máximo, o clímax para este tipo de carnaval, foi o carnaval da Praça Deodoro. E o marco de todos os desfiles foi o samba enredo da Turma do Quinto de 1983 sobre João do Vale, o “Quanto Queima como Atrasa” e a sensacional coreografia da comissão de frente fazendo um cordão como se fosse um trenzinho.
    Bom carnaval a todos!
    HAMILTONRAPOSO DE MIRANDA FILHO (2017).
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Pleito do deputado Hildo Rocha, em defesa dos irrigantes dos Tabuleiros de São Bernardo, é atendido pelo DNOCS

O deputado Hildo Rocha usou a tribuna da Câmara Federal para agradecer ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), que decidiu rever a suspensão dos pagamentos das contas de energia dos produtores inscritos no Projeto Tabuleiros do São Bernardo.

 

A decisão do órgão atende a uma reivindicação que o parlamentar apresentou em defesa dos irrigantes que passam por grandes dificuldades em razão da falta de assistência por parte dos governos estadual e federal.

 

Rocha enfatizou que no Maranhão existem três grandes perímetros irrigados, todos construídos com dinheiro público. “O maior é o Tabuleiro de São Bernardo, localizado no Baixo Parnaíba, na cidade de Magalhães de Almeida, um projeto com 11 mil hectares que até hoje não foi concluído”, disse o parlamentar.

 

Cooperação mantida: energia será religada

O deputado destacou que o DNOCS decidiu suspender os pagamentos das contas de energia dos pequenos irrigantes do projeto e cortar o contrato com a Cemar (Equatorial).

 

“Estive em Fortaleza, Ceará, na sede do DNOCS, com representantes dos irrigantes e com o Prefeito Tadeu, de Magalhães de Almeida, em busca de uma solução para essa questão. O diretor-geral do DNOCS, Sr. José Rosilônio Magalhães, se comprometeu em acatar as nossas reivindicações e visitar o projeto a fim de conhecer a realidade. Ele esteve em Magalhães de Almeida, na área dos tabuleiros, cumpriu a promessa, conheceu o projeto, se impressionou com o potencial dos tabuleiros e decidiu rever a sua decisão de cortar a energia. A sensatez prevaleceu. Quero parabenizar o Rosilônio”, ressaltou o parlamentar.

 

Conclusão do projeto

No encontro de Fortaleza, também ficou acertado que o DNOCS irá concluir a implantação desse projeto. “Espero que o Presidente Jair Bolsonaro apoie esse projeto, porque, sem dúvida nenhuma, será uma das maiores obras que ele pode fazer no Maranhão, possibilitando assim, que mais de duas mil famílias possam ter uma renda estimada em 10 salários mínimos, tirada da terra, tirada, ali das margens do Rio Parnaíba”, disse Hildo Rocha.

 

DNOCS: mais de um século a serviço do Nordeste brasileiro

O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), criado em 21 de outubro de 1909, pelo então Presidente Nilo Peçanha, é a mais antiga instituição federal com atuação no Nordeste. O órgão foi o primeiro a estudar a problemática do semiárido.

 

O DNOCS constrói açudes, estradas, pontes, portos, ferrovias, hospitais e campos de pouso, entre outras atividades. Até a criação da SUDENE, era o único responsável pelo socorro às populações flageladas pelas cíclicas secas que assolam a região.

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HISTÓRIAS DE SÃO LUÍS MARÇAL TOLENTINO SERRA E FELIPÃO: CONQUISTAS, EXCENTRICIDADES E SIMILIARIDADES.

O insucesso da seleção brasileira na Copa de 2014 é ainda comentado em qualquer roda de conversa onde o assunto seja futebol, muitos se credita a derrota para a poderosa Alemanha a teimosia do técnico Luís Felipe Scolari, o Felipão. Alguns ainda o chamam de ultrapassado, outros de um simples motivador, na verdade um coach motivacional. O certo é que Luís Felipe Scolari é o técnico mais bem-sucedido da história recente do futebol brasileiro.

Aqui no Maranhão nós tivemos diversos técnicos vencedores, entretanto, o maior de todos, vencedor em todos os clubes em que dirigiu e o primeiro técnico e o único maranhense com um título de Campeão Brasileiro. Campeão Brasileiro da Série B, o antigo Brasileirinho, conquistado pelo Sampaio Corrêa Futebol Clube, trata-se do excepcional e estratégico Marçal Tolentino Serra e como Felipão, era extremamente contraditório, com métodos de treinamento discutíveis e o primeiro a criar uma família no futebol: a família do Marçal. A família Scolari veio depois.

Marçal Tolentino Serra era um treinador motivador, costumava proteger os seus “atletas”, e os protegia de qualquer insatisfação da torcida, diretoria e imprensa. Fechava o grupo como se diz hoje no futebol e não recusava umas cervejas mesmo nas vésperas de um super-clássico. Nestas ocasiões bebericava até as 23 horas e a partir daí todos iam para as suas casas. Tinha a absoluta confiança dos jogadores e a eles se dirigia como “moçada”. Era um dialogo simples e que qualquer “boleiro” entendia, tipo: “vamos lá moçada, vamos ganhar, vocês são os melhores,…”. Com um discurso pronto se fez campeão e adquiriu respeito no mundo futebolístico maranhense e brasileiro.

Marçal Tolentino Serra foi da época de Bero, o nosso Alberino Francisco de Paula, outro excelente treinador. Este sem método ortodoxo de treinamento, lembrava mais o Tite, o vitorioso técnico corintiano e atual comandante da seleção brasileira. Cerebral, calmo e de poucas palavras, conduziu a Bolívia Querida em diversos títulos regionais. Bero é piauiense e ainda deve trabalhar no futebol da terra ou do céu.

Ambos os treinadores recebiam críticas da imprensa, algumas justíssimas, outras nem tanto. O melhor comentarista de futebol do Maranhão e do Brasil, o mais emblemático torcedor boliviano, Herbert Fontenele, com passagens em todas as rádios de São Luís, sempre comentou os jogos do Sampaio Corrêa com uma parcialidade apaixonada, seria o nosso Juca Kfouri comentando algum jogo do seu Corinthians, e sempre que podia, Fontenele criticava os métodos de treinamento de um ou de outro, em um exagerado amor pela Bolívia Querida.

Marçal Tolentino Serra e Alberino Francisco de Paulo, são inimitáveis na sua excepcionalidade arte de condução de um time de futebol, nem mesmo o carismático e um dos maiores vencedores pela Bolívia Querida, o treinador Nelson Gama, se compara com estes dois expoentes do futebol maranhense

Felipão sempre treinou grandes clubes e seleções. Marçal Tolentino Serra teve a felicidade de comandar o excepcional time do Brasileirinho de 1972: Jurandir, Célio Rodrigues, Neguinho, Nivaldo e Valdeci; Gojoba e Edmilson Leite; Lima, Djalma Campo, Pelezinho e Jaldemir. Felipão não teve esta sorte. Jamais dirigiu a Bolívia Querida.
HAMILTON RAPOSO DE MIRANDA FILHO

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Projeto proíbe carro a combustão no Brasil. Fabricantes dizem ser inviável

© Agência Brasil/Reprodução –
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou, na última quarta-feira (12), um projeto de lei que proíbe a venda veículos movidos a gasolina e diesel a partir de 1º de janeiro de 2030.
Com isso, apenas os carros abastecidos com biocombustíveis (como, etanol) ou elétricos, poderiam ser vendidos normalmente. O PLS 304/2017 ainda determina a proibição da circulação de veículos a combustão no país, a partir de 2040.
Neste caso, haveria algumas exceções: automóveis de coleção, veículos oficiais e diplomáticos ou carros de visitantes estrangeiros poderão rodar pelas ruas brasileiras mesmo que movidos a combustíveis fósseis.

A proposta foi feita pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) e é contestada pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Segundo a assessoria da associação, é inviável alcançar tal meta em um prazo de dez anos.
A Anfavea ainda lembra sobre o Rota 2030, aprovada pelo Congresso Nacional em 2018, e afirma que as fabricantes já estão seguindo o programa.
O Rota 2030 define regras para a fabricação dos automóveis produzidos e comercializados no Brasil durante os 15 anos. O objetivo é modernizar o setor de autopeças e de eficiência energética.

De acordo com a Anfavea, antes da aprovação da PLS é importante que seja discutido qual matriz energética será usada e qual sua capacidade.
A associação afirmou que foi à Comissão de Meio Ambiente (CMA) em outubro do ano passado para explicar a inviabilidade de um projeto parecido com este aprovado ontem, e que está aberta para novos debates sobre o tema.

Em seu projeto, o senador sustenta que o Brasil já possui soluções tecnológicas para a questão, colocando como principais delas: os carros movidos a eletricidade e carregados em tomadas da rede elétrica e os abastecidos como biocombustíveis.

Outros países já aderiram à programas similares com o objetivo de sanar os problemas com emissões. A Índia e a Holanda estipularam 2030 como data limite para o fim das vendas de veículos a combustão.

Reino Unido e França colocaram o limite para venda em 2040, enquanto a Noruega pretende colocar em prática em 2025 a iniciativa.
De acordo com o senador, a queima dos combustíveis fósseis é responsável por ao menos um sexto da emissão de dióxido de carbono na atmosfera.

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Pangolim, mamífero em extinção, pode ser possível hospedeiro intermediário do coronavírus, dizem cientistas chineses.

O pangolim, um pequeno mamífero conhecido por suas escamas e ameaçado de extinção, pode ter tido um papel intermediário na transmissão ao homem do novo coronavírus, que já matou mais de 600 pessoas na China, de acordo com as agências de notícias Reuters e France Presse.

A afirmação é de pesquisadores da Universidade de Agricultura do Sul da China. Eles identificaram o pangolim como um possível “hospedeiro intermediário” que facilitou a transmissão do vírus, informou a universidade em um comunicado, sem dar mais detalhes.

“Esta última descoberta será de grande importância para a prevenção e o controle da origem [do vírus]”, informou a Universidade Agrícola do Sul da China, que liderou a pesquisa, em comunicado em seu site.

 Dirk Pfeiffer, professor de veterinária da Universidade da Cidade de Hong Kong, alertou que o estudo ainda está longe de provar que os pangolins transmitiram o vírus, segundo relato à Reuters.

“Você só pode tirar conclusões mais definitivas se comparar a prevalência [do coronavírus] entre espécies diferentes com base em amostras representativas, o que essas quase certamente não são”, afirmou Dirk Pfeiffer.

Mesmo assim, Pfeiffer afirma que ainda é necessário estabelecer um vínculo com os seres humanos através dos mercados de alimentos de Wuhan, considerado o ponto inicial da transmissão do vírus.

Embora protegido pelas leis internacionais, o pangolim é um dos mamíferos mais traficados da Ásia. Sua carne é considerada uma iguaria em países como a China e o Vietnã e suas escamas são usadas na medicina tradicional, de acordo com a organização não-governamental World Wildlife Fund (WWF).

Em 2016, a Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies Selvagens Ameaçadas de Extinção introduziu o pangolim em uma lista que proíbe sua comercialização. De acordo com as ONGs, porém, apesar desta medida, o tráfico ilegal dessa espécie continua aumentando.

Do morcego ao pangolim

Pesquisas anteriores já traçaram que os genomas do 2019-nCOV e os que circulam no morcego são 96% idênticos.

Novo coronavírus pode ter vindo de morcegos, indica pesquisa

O vírus do morcego não é, porém, capaz de se fixar em humanos receptores e, sem dúvida, precisa passar por outra espécie para se adaptar ao homem, o que é chamado de “hospedeiro intermediário”.

 

Uma das possibilidades investigadas pelos cientistas é a de que os morcegos são o reservatório do vírus, que se espalhou de morcegos para humanos através do tráfego ilegal de pangolins.

 

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Dino ironiza ideia de Bolsonaro de zerar ICMS: “Só levo Guedes a sério”

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), criticou, nesta quinta-feira (6), em entrevista ao Congresso em Foco, a iniciativa do presidente Jair Bolsonaro de propor a eliminação da cobrança do ICMS dos combustíveis, algo que resultaria na perda de arrecadação dos estados.

“Como o Bolsonaro já declarou várias vezes que não entende nada de economia e tudo tem que ser tratado com Guedes, a gente realmente só leva a sério quando for o Paulo Guedes propondo”, afirmou. O ministro da Economia não se pronunciou publicamente sobre o tema.

“Isso que Bolsonaro fala na porta do Palácio não dá para levar a sério porque o governo dele só dura 15 minutos por dia, que é o tempo que ele dá aquela entrevista, depois não tem mais governo, depende do Paulo Guedes, quando ele propuser a gente vai debater no âmbito da reforma tributária,  que é o único lugar possível”, disse o governador do PCdoB.

A ideia é que o imposto estadual seja cobrado, no caso dos combustíveis, sobre o valor que sai da refinaria, fixo, em vez de incidir sobre o preço cobrado nos postos, que é maior.

Na segunda-feira (3), 23 dos 27 governadores do país assinaram uma nota, sugerindo que Bolsonaro cortasse os tributos federais ao invés de interferir no ICMS. Não endossaram a nota os governadores Gladson Cameli (PP-AC), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Mauro Carlesse (DEM-TO) e Marcos Rocha (PSL-RO).

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SÃO BENTO – Interdição de abatedouro é determinada a pedido do MPMA

Atendendo a pedido do Ministério Público do Maranhão, a Justiça determinou, no dia 9 de janeiro, a interdição, no prazo de 30 dias, do abatedouro do Município de São Bento.

O requerimento foi feito em Ação Civil Pública formulada pela promotora de justiça Laura Amélia Barbosa. A decisão liminar foi proferida pelo juiz José Ribamar Dias Júnior.

Na ação, também foi requerida a adequação do novo abatedouro, já construído no povoado de Iguarapiranga.

PROCEDIMENTO

Em agosto de 2019, o MPMA instaurou procedimento instruindo que providências fossem tomadas para a melhoria das condições de funcionamento do abatedouro. O pedido foi realizado com base no relatório da Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged-MA).

documento atestou que o abatedouro não possui responsável técnico para a inspeção dos animais, a água utilizada não tem tratamento, dejetos são jogados a céu aberto e a limpeza dos utensílios é realizada sem o uso de desinfetantes industriais.”Não foram encontrados equipamentos, vasilhames ou instrumentos mínimos necessários ao abate. Não há câmaras frigoríficas”, destacou o relatório.

VISTORIA

A equipe da Promotoria de Justiça esteve no dia 28 de agosto de 2019 em São Bento, quando constatou as condições descritas no relatório da Aged. Açougueiros relataram que, no período de inverno, a situação piora e o odor é mais forte. Também informaram que existe um prédio construído para funcionar o novo abatedouro da cidade. Porém, a mudança ainda não foi realizada porque o local não possui a estrutura necessária.

O Ministério Público notificou o prefeito de São Bento, Luiz Gonzaga Barros. Em audiência, realizada em setembro de 2019, foi sugerida ao prefeito a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Porém, a proposta foi recusada. O gestor afirmou que, no prazo de 30 dias, o problema seria solucionado, o que não ocorreu.

A equipe da Promotoria de Justiça visitou o povoado Iguarapiranga, onde funcionaria o novo abatedouro de São Bento. Foi verificada a existência do prédio, mas com aspecto de abandono e sem sinal de reforma.

SANÇÕES

No caso de descumprimento da decisão, medidas coercitivas poderão ser adotadas.

Redação: CCOM-MPMA

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