Sábado, 20 de julho de 2019.

Moro contraria Bolsonaro e diz que não estabeleceu condição para assumir ministério

Grasielle Castro

/ ReutersNo domingo (12), Bolsonaro afirmou à rádio Bandeirantes que prometeu ao ex-juiz a indicação para uma vaga no STF.

Diferentemente do que afirmou o presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Justiça, Sergio Moro, disse que não firmou nenhum compromisso para integrar o governo. No domingo (12), Bolsonaro afirmou à rádio Bandeirantes que prometeu ao ex-juiz a indicação para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).
“Eu fiz um compromisso com ele, porque ele abriu mão de 22 anos de magistratura. Eu falei: ‘A primeira vaga que tiver lá [no STF], está à sua disposição’”, disse Bolsonaro.
Nesta segunda-feira, Moro respondeu: “Não estabeleci nenhuma condição aceitar o convite”.

O ministro disse que aceitou o convite por “convergência” na pauta de combate à corrupção. “Quero trabalhar contra a corrupção, crime organizado e crime violento. Houve uma convergência de pautas.”

O ministro fez as declarações após participar de um congresso no Paraná. No evento, ele defendeu a permanência do Coaf sob seu comando.
Na semana passada, a comissão mista que a analisa a MP da reestruturação administrativa do governo devolveu o órgão ao Ministério da Economia.
O Coaf é o responsável por rastrear movimentações financeiras atípicas. É essencial em investigações de combate à corrupção, como a do caso Queiroz, do mensalão e da Operação Lava Jato.

Estratégia

Com a derrota de Moro na comissão, a fala de Bolsonaro foi interpretada por analistas políticos como uma forma de fortalecer o ministro. A próxima vaga a ser aberta no Supremo deve ser a do ministro Celso de Mello. Pelas regras atuais, ele se aposenta em 1 ano e 6 meses.
“A primeira vaga que tiver, eu tenho esse compromisso com Moro, e se Deus quiser nós cumpriremos esse compromisso. Acho que a nação toda vai aplaudir um homem desse perfil lá dentro do STF”, disse Bolsonaro.

Há, no entanto, articulações no Congresso para ampliar a idade da aposentadoria compulsória dos ministros do STF de 75 anos para 80 anos. Se a mudança ocorrer, o presidente perde o poder de indicação neste mandato.

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