Domingo, 18 de agosto de 2019.

Um olhar sobre a cidade – I

O Largo do Carmo com destaque para o Casarão Verde, um dos mais lindos prédios de São Luís.

Talvez seja eu um romântico e saudoso dos tempos passados nesta cidade chamada São Luís, capital de todos os maranhenses, e, até de outros cidadãos do mundo. Sentei para escrever este texto, com a saudade no coração e na mente, lembrando-me dos dias em que vivi as delícias de uma pacata e serena aglomeração urbana cheia de ruas estreitas e casarões imponentes.

Diria o saudoso Milton Carlos; “ei lá se foi felicidade, do Largo do Boticário, a gente morre de saudade”.

Claro que não tínhamos o Boticário, mas sim o Largo do Carmo, a Praça João Lisboa, o Largo dos Amores, o do Desterro. Quanta saudade!

A velha estrada de ferro atravessando a cidade em direção ao Tirirical, o Caminho Grande dando acesso à principal praia da época, Olho D’agua, o antigo Mercado do João Paulo, bairro onde passei um bom tempo, depois mudando para o centro.

E as lembranças vão fluindo na minha memória procurando entender hoje as modificações sofridas e a falta que nos faz a nossa amada e “velha” São Luís.

Com licença, por favor, desculpe, posso ajudar? Assim eram as pessoas daquela época. Não se colocava lixo nas ruas, e no trânsito a educação era seguida das normas estabelecidas pela legislação vigente. O ludovicence era conhecido como o mais receptivo e mais hospitaleiro entre os moradores do país.

O QUE É LUDOVICENCE?

(Para chegar ao gentílico “ludovicense”, relativo à cidade de São Luís, capital do Maranhão, recorreu-se ao nome próprio latino Ludovicus, derivado do germânico Hlodoviko – que vem a ser a origem remota do português Luís). Desde o início do século XVII já estava em circulação a forma “são-luisense”, esta de formação popular.

E as lembranças avançam na minha mente do tempo de estudante no Jardim de Infância Luís Serra na Rua Afonso Pena, depois a Escola Modelo no Largo de Santo Antônio, passando pelo Colégio de São Luís e CEMA, o velho Cine Éden na Rua Grande, o Roxy na Rua do Egito, o futebol com o meu pai no Estádio Santa Isabel e a escolha do Sampaio Correia para ser torcedor.

“Ei lá se foi felicidade”. Hoje quando me vejo em uma cidade abandonada pelo poder público, os olhos marejam e o peito se enchente de angústia, por falta de autoridade, ensejando um comentário tão perversos para São Luís; Terra de muro baixo!

A população cresceu desordenada e com ela os valores deixaram de ser respeitados, cada qual faz o que bem entende, as ruas estão cheias de “donos”, o trânsito é caótico, as escolas caem aos pedaços, a criminalidade aumenta a cada dia e o cidadão é o maior prejudicado.

Ninguém respeita o seu direito, o comerciante entende que pode colocar obstáculos em cima das calçadas, e fica por isso mesmo, o outro dirige pela contramão e se chamado à atenção, ainda parte para brigar. Falta harmonia, falta respeito, falta cidadania, falta fiscalização.

Vou parando por hoje, mas com certeza, postarei mais sobre esta cidade, tão especial, onde nasci, onde trabalho e vivo, procurando ensinar aos meus descendentes, que não se maltrata o que se ama. E como diria o poeta Ivan Sarney, “é preciso amar a cidade”.

Voltarei, com outros artigos sobre Um Olhar Sobre a Cidade!

 

Sem comentário para "Um olhar sobre a cidade – I"


deixe seu comentário